segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Preocupações

Trabalho numa empresa que depende em grande parte de projectos co-financiados pelo Fundo Social Europeu. Suspeito que a delegação em que sou a única funcionária só se mantem aberta porque ainda vai havendo algum trabalho nessa área. O trabalho de iniciativa privada [conquistar um cliente e fornecer-lhe um serviço] não existe por estas bandas. Na sede, as coisas não estão melhores e o que mais me espanta é ver que qualquer um dos assalariados desta empresa está mais preocupado com a situação do que a Direcção.

Até 2013, ano em que termina o actual Quadro Comunitário, talvez tenha emprego. E até lá [ou até ao dia em que for despensada] confesso que não vou procurar uma alternativa. Vou ficar aqui sossegadinha, não me apetece ser eu a sair por iniciativa própria e perder a antiguidade na empresa e os respectivos direitos. Até mesmo porque, estando constantemente atenta a anúncios e ao mercado de trabalho, sairia daqui para uma situação mais precária com toda a certeza.

Não gosto de estar aqui. As condições físicas e humanas são deploráveis. Vou cumprindo, fazendo o meu trabalho, respondendo às solicitações, mas já vão longe os dias em que trabalhava por gosto e em que tomava a iniciativa de criar trabalho. Enquanto profissional, sinto que baixei a fasquia. Mas ao mesmo tempo não me sinto culpada ou responsável. Remar contra a maré cansa. E um dia, somos obrigados a deixar-nos levar pela corrente.

Estou profundamente preocupada, óbvio. Enquanto tiver emprego sei com que linhas me posso coser. Nunca fui pessoa de dar passos maiores que a perna, mas não havendo trabalho, fico apreensiva. Tenho a casa para pagar, as despesas de água, luz, gás, telemóveis, cabo, creche e pouco mais como despesas fixas. Por enquanto dá para termos tv cabo e internet em casa, quando não der, paciência. Por enquanto dá para manter 2 redes de telemóvel [sendo que o objectivo é fazer uma boa gestão das chamadas e sms, procurando gastar menos do que se tivesse só uma]. Quando não der, voltamos ao antigamente. Combina-se de hoje para amanhã, hora e local, e há que cumprir.

Tenho um filho, vai fazer 2 anos em Novembro. A maioria dos nossos gastos extra são com ele. Gastamos em produtos sem glúten/trigo uma pequena fortuna mensal. Além da mensalidade da creche, levamos ainda esses pequenos mimos [bolachas, pão, douradinhos] para que ele se sinta o menos diferente possível. Gastamos uma boa maquia em produtos para a pele. Mesmo assim, tenho procurado soluções alternativas mais baratas, como por exemplo o uso intercalado de óleo de amêndoas doces. Compramos a roupa dele em lojas acessíveis. É raríssimo ter uma peça de roupa que não seja da H&M, Zara ou Zippy. Não compramos brinquedos, apenas livros e puzzles. Se calha comprar 2 ou 3 livros, não lhos damos logo todos, vamos guardando para ocasiões especiais.

Quero ter outro filho. Quero mesmo. Não teria de fazer um investimento inicial tão grande, todos os artigos de puericultura que ficaram do M. estão impecáveis. A roupa são outros quinhentos, depende sempre da altura em que nascem, pode ser que dê para aproveitar muito, pouco ou nada. Mas tenho medo. A velha máxima do "tudo se cria" faz-me comichão. Quanto mais o tempo passa, mais esta ideia vai esmorecendo cá dentro e isso deixa-me de rastos. Tinha jurado a mim mesma que não deixaria o meu filho sem a companhia de um irmão/ã. Talvez por eu ser filha única. E nem vou aqui dissertar sobre as vantagens/desvantagens de se ser filho único. 

Merda para isto. 

7 comentários:

Loira disse...

Nme penses que vamos deixar os miúdos sem irmãos... Nem penses!

Margot disse...

Tem calma, é dificil não entrar em stress com a crise que se instalou e que teremos que pagar, mas ainda tens emprego.
Qto aos filhos, não acho que seja assim no tudo se cria...

Margot

Tânia (Mamã do Santiago) disse...

Olha podia ter sido eu a escrever isto, tanto a nível pessoal como profissional!

Pirilampo M4gico disse...

Este post toca-me profundamente... Ando no mesmo dilema! Prometi a mim mesma que a Pirilampinha teria irmãos, mas cada vez vejo essa hipótese mais remota. Claro que a criança não iria passar fome, mas pergunto-me "Como seria?" ...

Naná disse...

Minha querida Ni, partilho a 1000% dos teus dilemas sobre ter o segundo filho, com a diferença que eu meti na cabeça que quero tê-lo!! Só falta saber quando!... Mas no meu caso acresce a falta de um sistema de apoio muito importante, os avós/avôs!...

Ana disse...

Olá, já sigo o blogue a algum tempo mas nunca comentei. Eu estou actualmente numa situação muito longe do que tinha planeado. Tenho uma filhota com dois anos e meio e no fim deste mês nascerá o meu 2º filho. Não foi planeado, soube da gravidez quando faltavam 5 meses para terminar o estágio remunerado de 12 meses, como se previa fiquei cheia de dúvidas em seguir ou não pois com o cenário cada vez mais negro de Portugal ficar só com 1 vencimento era bastante desanimador. Mas lá nos decidimos e avançamos e ao contrário do que previa fui convidada a assinar outro contracto de 6 meses não renovável, vai-me custar caro pois vou trabalhar até ao final da gravidez e só poderei retirar 6 semanas de licença, e não sei se o esforço valerá ou não. Mas nada é certo, tenho uma colega que estava efectiva teve um filho gozou a licença e quando voltou tinha a carta de despedimento à sua espera, e hoje tem outra no seu lugar.
Desculpa pelo longo discurso, mas isto para dizer que também não concordo com o "tudo se cria" hoje nós pais temos a responsabilidade de garantir aos filhos uma boa saúde, educação e bem estar, não os podemos prejuudicar com as nossas escolhas. A minha filha anda no infantário desde os 5 meses e não tenho ajudas, mas tanto eu como o meu marido abdicamos de certas coisas, vale a pena? Sim! Claro que vale quando a filhota nos dá aquele sorriso e o filhote aquele pontapé, tudo vale apena...

Ni! disse...

Ana,

Ben-vinda e obrigada pelo teu testemunho.

Boa sorte para a nova etapa e que tudo vos corra bem!