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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Filho, nem sempre aquilo que eu digo é aquilo que queria dizer!


Ontem, passei por esta imagem no facebook e fiquei a pensar. Realmente, a maternidade é encontrar um ponto de equilíbrio entre o que está rasurado e o que foi escrito a posteriori.

Filho, nem sempre aquilo que eu digo é aquilo que queria dizer!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Educar é tramado

Eis que chegamos à fase dos terrible two ou algo assim. O meu doce e afável filho estica mais a corda a cada dia que passa. Ainda bem que sempre lhe demos rédea curta nessa coisa tramada que são as birras-porque-sim. De outra forma, não sei de que maneira teria mão nele neste momento.

Não posso dizer que seja um miúdo birrento e insuportável. Leva-se, umas vezes melhor outras pior, mas leva-se. Tem uma resposta para tudo, sempre contrária àquilo que lhe estão a dizer, óbvio. Desafia-nos, provoca-nos, chega a dizer-nos "olhem, eu estou a fazer asneiras". Sabe que está a fazer mal e ri-se. Sabe que vamos ralhar e pede palmadas "dá-me lá uma palmada, mãe". O pai acerta-lhe a blusa [que é como quem diz, sacode-lhe o pó da fralda] e ele responde "não me doeu". Eu ando com a paciência a roçar níveis negativos. Às vezes saio de perto e vou contar até 100 para outra divisão, tal é a vontade de lhe dar naquelas mãos a sério. Às vezes não saio de perto e dou-lhe mesmo. Ralho. Odeio gritos e dou por mim a ralhar com ele num tom demasiado alto. Gostava de não lhe levantar a mão, de não lhe dar palmadas, de não ralhar e de não berrar. Gostava. Mas o castigo, às vezes, simplesmente não resulta. Aliás, às vezes nada resulta. Ainda não descobri o que o faz travar. Tiro-lhe os brinquedos e ele borrifa-se [ou finge muito bem que se está a borrifar]. Ponho-o de castigo e ele fica na boa. Sacudo-lhe o pó e ele ri-se e diz que não doeu. Quando lhe dou a doer... fico eu de rastos.

Merda. Educar é tramado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mãezite aguda e outras preocupações

O meu filho nunca foi um bebé dependente de colo. Aliás, ouvi muitas vezes a minha avó dizer "este garoto não gosta nada de colo." E era verdade, desde muito bebé, ficava sempre mais tranquilo na alcofa, depois na cama, espreguiçadeira, cadeira da pápa, chão... do que ao colo.

Também nunca foi um miúdo difícil de ficar com outras pessoas, sendo que essas outras pessoas eram sempre a minha avó e os meus pais.

Depois veio a escola e eu noto que ele se tornou mais agarrado a mim. Pode não ter a ver com a escola, mas apenas com a normal evolução, própria dos medos e anseios associados a esta idade, não sei, mas o que é certo é que ele sofre de uma enorme mãezite aguda de há uns tempos para cá. Também é certo que desde Setembro já ficou mais vezes doente do que na sua restante existência e noto algum agravamento desta dependência nos estados de doença e nos dias que se seguem.

O problema não é ficar na escola. Tem dias que fica bem, outros que fica a chorar. Na minha avó fica quase sempre bem, mas têm-se repetido alguns episódios de "não tens nada que ir tabaiaaaaaaaaar" à mistura com lágrimas e berreiro. Em casa, mesmo com o pai, não me pode ver desaparecer. Se vou tomar banho, estender roupa, cozinhar, etc e ele fica na sala, por exemplo, com o pai, está sempre a perguntar por mim e às vezes, quando a resposta não o satisfaz, fica nervoso e grita e não para de dizer "quero colo da mãe".

Também tem a parte gira. Diz-me coisas como "Mãe, tu és tãaaao fofa" ou "Minha querida mãezinha" enquanto me faz festinhas e dá beijinhos de esquimó.

Na escola, diz-me a educadora que é miúdo pacato, que se afasta de qualquer confusão, que se assusta com a algazarra dos outros. É calmo, prefere estar na dele, sem muitas confianças. Eu noto que se isola um pouco e, pelo facto de ser muito mimoso, acaba por estar mais com educadoras e auxiliares do que entretido com os colegas nas brincadeiras parvas destas idades. Isso preocupa-me. Tenho receio que se sinta inseguro, vejo que prefere isolar-se. Talvez ainda seja cedo para me preocupar com isto, mas corta-me o coração. É um miúdo com tantas capacidades, em casa canta e faz as coreografias e sente-se cheio de confiança, mas na escola... pelo que me é dado a observar (e nós não temos restrições de acesso ou horário às salas, casas-de-banho, refeitório) sinto que o meu filho tem pouca auto-confiança. Ou não, e eu estou a fazer filmes. Mas gostava de lidar melhor com isto. Nós transmitimos-lhe o melhor que sabemos. Por exemplo, se ele pede ajuda para fazer alguma coisa, a 1ª opção é sempre: "Vá, tenta fazer tu. Tu vais conseguir. Boa!" Se vejo que começa a ficar frustrado, ajudo enquanto lhe vou explicando como deve fazer. Incentivamo-lo imenso (imenso, digo eu) a ser mais independente, mas se calhar não o suficiente.

Pode ser só um filme da minha cabeça, mas isto hoje está-me aqui a atasanar o sistema nervoso e eu precisava de escrever. Não vou reler o que escrevi, talvez não faça muito sentido, mas fica o registo.

E os vossos miúdos? Também passaram/passam por fases assim? Os que entraram na escola mais tarde (2 anos em diante) tiveram dificuldade em "enturmar-se"?


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Educar

.. é difícil.

Ando farta de estar sempre a ralhar, ora porque atira com tudo pelo ar, ora porque nos desafia e só quer andar aos saltos em cima do sofá/cama/bancos/cadeiras/you name it.

Tenho dias em que do primeiro ralhanço à palmada vão 30 segundos.

Não podemos continuar assim e a adulta sou eu, por isso sou eu que tenho de rever a minha postura. O meu piolho só tem 2 anos. Tem um desenvolvimento cognitivo e emocional acima da média [estou-me a borrifar para comentários do tipo "estás-te a armar" ou "isso é o que dizem todas"]. Tem vocabulário e discurso de uma criança de 3/4 anos e eu esqueço-me que, na realidade, ele só tem DOIS ANOS!

Sou eu que tenho de rever a minha postura e pensei muito sobre o assunto. Ele precisa de extravasar, de atirar com coisas, de desafiar, de desobedecer, de fazer birras, de pensar que manda... está na idade. Eu, decidi que, tirando as situações que o colocam em perigo, não há mais berros, ou sou eu que dou em doida.

Ele desarruma tudo? Paciência. No fim, tento convencê-lo a ajudar a arrumar.
Ele corre e salta e pula? Só lhe faz bem. É deixá-lo ir e esperar que corra tudo bem e ter sempre uma mãozinha a jeito.
Ele não quer comer isto, mas apetece-lhe aquilo? Há que ponderar. Eu também não me apetece todos os dias aquilo que me põem à frente. Não comer sopa para pedir batatas fritas 30 segundos depois é coisa para não resultar. Mas que mal tem se não lhe apetece mais sopa e me pede um pão com queijo!?
Ele tem a mão lampeira? Vai para o castigo em silêncio. No fim explico-lhe pela milionésima vez que não se bate/morde na mãe.
And so on, and so on...

É difícil educar, sobretudo quando se passa muito tempo a educar sozinha. Estou cansada, sinto-me cansada e já andava a dar em maluca com tanto stress à volta de coisas que afinal são simples e próprias da idade. Este cansaço extremo levou-me quase a tornar-me na mãe que não quero ser. O meu filho merece o melhor e é isso que eu lhe quero dar.

Nova fase, siga para bingo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mom fail

1. Detesto gritos. Detesto. Sempre disse que não ia gritar com o meu filho. FAIL! A sério, às vezes leva-me a um ponto de exaustão tal, que chego mesmo a berrar com ele, como se fosse um adulto e estivesse a entender o motivo da minha ira. É verdade que ele goza connosco, descaradamente. Que já tem muita noção do que está bem e do que está mal, mas eu não consigo deixar de me sentir uma big loser.

2. No domingo deu comigo em doida de manhã. Nada estava bem, só queria andar a fazer porcaria e a saltar em cima da cama e a atirar com caixas plásticas pelo ar e a fazer das garrafas de água vazias uma bola e a cair e atirar-se ao chão. Ainda não eram 10 da manhã quando saí com ele de casa para arejar e já estava de rastos. Fui à H&M comprar-lhe uns casacos. Ele gosta de tirar sempre uma peça de roupa num cabide e passear-se pela loja como se aquilo fosse a compra dele. Todas as vezes que isso aconteceu, a peça voltou para o expositor e levámos apenas aquilo ao que íamos. No domingo cedi. Troquei a peça que ele escolheu por uma igual do tamanho certo e deixei-o trazer aquilo [era um body, faz sempre falta, mas mesmo assim não é desculpa]. Foi a culpa, eu sei que foi a culpa de ter berrado com ele. FAIL!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

O meu filho [não] é melhor que o teu e eu [não] sou melhor mãe que tu, blablabla, whiskas saquetas

Este post vai ser mal amado, mas aqui vai na mesma :)


Antes de ser mãe, sempre notei uma certa tendência na generalidade das pessoas para comparar o que não tem comparação. Cada miúdo/a é um/a miúdo/a e nenhum é melhor que o outro só porque começou a andar com 9 meses, ou porque fala pelos cotovelos aos 13, ou porque aprendeu a ler sozinho aos 3 anos e assim por diante. Da mesma forma, cada casal [ou cada mãe e cada pai individualmente], deve decidir a melhor educação para o seu filho. Para o seu. Não para os filhos dos outros, se faz favor. E eu posso até não comungar dos mesmos ideais, mas [à excepção de casos limite de maus tratos, por exemplo] respeito as escolhas de cada um, como exijo respeito pelas minhas, pelas nossas. Dou opiniões, se mas pedirem. Mas não dou palpites gratuitos, não mando bitaites.


Se há coisa que me tira do sério mesmo é ouvir mãezinhas [sim, são sobretudo as mães] gabarem-se que se acham o suprassumo da maternidade, muito mais mães que todas as outras mães, porque, a título de exemplo:


-Deram de mamar até à exaustão, com as mamas desfeitas e lágrimas nos olhos de tanta dor, com os bicos gretados, mas mesmo assim não desistiram. Desculpem, mas eu não acho que sejam melhores mães por isso. Há momentos na nossa vida, em que procurar uma alternativa melhor para nós, é também o melhor que fazemos pelos nossos filhos [e atenção que eu não me estou a defender em causa própria, porque o desmame do piolho aconteceu naturalmente e eu nunca sofri horrores com a amamentação, apenas os normais dias-melhores-dias-piores].


-Deixam de ter vida própria e só aceitam a ideia de que quem tem filhos tem de abdicar do que gosta, porque tem de dedicar-se 100% aos filhos e nada é mais importante que estar com eles e só os programas que os possam incluir devem ser equacionados [nada contra, atenção. Só nunca me venham dizer que são melhores mães que eu por pensar de maneira diferente e por deixar o meu filho dormir uma noite nos avós esporadicamente para poder fazer um programa de gente crescida].


-Nunca levantaram a voz ou tiveram vontade de dar uma palmada valente num filho [eu aceito as convicções das pessoas que não batem nos filhos e não berram com eles e se conseguem controlar sempre. Eu própria faço um esforço enorme para evitar berros e palmadas, porque não acredito que sejam a melhor forma de educar. Mas no dia em que eu der uma palmada ao meu filho - porque isso vai acontecer -, não aceito ouvir ninguém dizer que nunca bateu e, por isso, é melhor que eu].


E eu podia ficar aqui a tarde toda a dar exemplos, mas acho que já deu para perceber. Queria apenas deixar claro que eu não critico nem condeno nenhuma destas situações. Simplesmente não aceito que sejam usadas como estandarte nesta coisa difícil que é a maternidade.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Mas onde é que eles aprendem estas coisas?


É impossível reproduzir a pinta com que o meu filho nos desarma na hora do ralhanço. É preciso ter um enorme auto-controle para não me partir a rir.

Ele faz asneiras e eu ponho uma cara séria. "Ai, ai, ai, estás-te a portal mal"!

A técnica dele:
1. Põe uma expressão que é um misto de ofendido e triste, tipo "cachorro arrependido"
2. Faz um beicinho irresistível que diz qualquer coisa como "mamã, eu não fiz por mal, eu sou lindo"
3. Começa com uma ladaínha que normalmente inclui "um-cá-cá, um-cá-cá", mas em versão sussurro.

Não aguento. Tenho de me esconder dele para me poder rir.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Esclarecimento


Não me adianta de nada escrever este esclarecimento aqui, porque quem deveria lê-lo não vai ler de certeza. Simplesmente porque não tenho o blog divulgado entre família, amigos e conhecidos, salvo 2 ou 3 excepções. Mas vai na mesma... em jeito de desabafo!

Então é assim, minha gente: EU NÃO SOU COMICHOSA em relação ao meu filho!

Eu simplesmente odeio que me lambusem o garoto de beijos, eu nem sequer gosto que lhe dêem beijos, sobretudo na cara e nas mãos que vão direitinhas à boca. Então se for a senhora que eu nunca vi mais gorda e que encontrei ali no elevador do centro comercial, nem sequer gosto que lhe toquem ou lhe façam cruzes na testa com o polegar...

Também não tolero que o acordem de propósito ou que não o deixem dormir, mesmo quando ele já nem consegue abrir os olhos, só porque "ah e tal, deixa-me consolar... tu estás sempre com ele, nós não..." Temos pena, pessoal. Menos, muito menos!

Mando-me às paredes quando o tentam distrair enquanto ele come, seja na mama ou sentadinho na sua cadeira. Devia partir do bom senso de cada um, eu sei, mas isto acontece mesmo quando eu peço educadamente que não o distraiam enquanto come...

E podia ficar aqui toda a tarde nisto, mas quero apenas dizer que não sou eu que sou comichosa. Vocês [não são vocês, leitores... são as muitas melgas que me rodeiam] é que são egoístas, porque se preocupam muito mais em ficarem com a barriga cheia de tanto estoirar o miúdo do que em respeitar os ritmos, horários e hábitos de um bebé. Isso sim, era uma coisa esperta!

Tenho dito!