Mostrar mensagens com a etiqueta cartas ao piolho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cartas ao piolho. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Porque um dia vou achar graça contar-te

... sobre aquela noite em que [muito por culpa da mega sesta da tarde] não te apetecia dormir! Foi ontem. Ficámos os dois a ver músicas no "cumutador" depois de jantar. Cantámos, dançámos e às 22h eu achei que estava na hora de recolher. Tu não. E vai daí, desfiaste um rosário que rezava mais ou menos assim:

"Mãaaaaaaaaaaaae! Mamãaaaaa Niiiiiiiii! Onde estás? Anda cá ao menino. Come a papa, Joana, come a papa... Tenha muita saúde e amigos também! Mãaaaaaaaaaaaae! Mamãaaaaa Niiiiiiiii!"

E eu lá ia acalmar-te, dar-te um colinho, mas tu estavas cada vez mais agitado.

"Mãe! Porque tens uns olhos/orelhas/nariz/boca tãaaaaaaaaaaaaaaaao grandes!? Este é o pé esquerdo, olha mãe! Quero ir para o outro quarto. Esta cama é pequenina. No teu quarto a cama é grandita. Parabéns a você [...] uma salva de palmas."

Desisti. Levei-te para a minha cama, com a promessa de que ias portar-te bem e dormir. Apaguei a luz e fiquei mais 1hora a ouvir-te:

"Mãe! Eu estou a portar-me muito bem? Eu sou lindo e estou a portar-me muito bem, não é? Ó mãe, tu és tão pequenina, tão fofinha. Mãe, estou contente por ir à escola. Não é preciso chorar, pois não? Doidas, doidas, doidas andam as galinhas... Ó mãe, eu porto-me muito bem. Porque é que tens uma testa tãaaao grande [what!?!??]? Canta a música do Gombby! Aqui não há Uki na "tubisão"? Mãe, ó mãe!"

E eu lá ia respondendo baixinho. "Estás a portar-te muito bem, sim, mas agora dorme. Fecha os olhinhos. Amanhã é dia de acordar cedo para a escola."

Cerca de 2 horas e meia depois de te deitar a primeira vez [e já na tua cama] finalmente fechaste a pestana! Isto acontece muito raramente, mas ontem foi assim. O meu pirralho queria conversa :)

I love U!

sábado, 26 de novembro de 2011

O elefante de madeira

No dia do teu 2º aniversário, o teu avô ofereceu-te um elefante de madeira. Não é um elefante qualquer, não. É um elefante muito especial, um tesouro, um dos presentes com mais significado que algum dia irás receber. Vou ajudar-te a tomar conta dele, a protegê-lo para que te acompanhe até que um dia consigas também perceber a importância deste gesto e possas ser tu a tomar conta dele.

Mas primeiro vou contar-te a história deste elefante.

Há uns anos atrás, o avô tinha um negócio próspero. De porta aberta, a fazer aquilo que ele sempre soube fazer melhor, a comunicar com clientes, a receber de braços abertos todos quantos vinham comprar ou apenas fazer uma pergunta. Nessa altura, o avô começou uma colecção de figuras em madeira, lindas, máscaras, girafas, figuras femininas, chefes tribais, grandes, pequenas, médias, todas elas a fazer lembrar a "sua" África, o seu país de origem, Angola. O avô sempre teve muito orgulho nesta colecção, que fazia as delícias dos clientes que visitavam a loja. Muitas vezes lhe ofereceram dinheiro por várias peças e ele nunca vendeu uma única.

Um dia, teve de deixar aquele espaço e empacotou quase tudo. Deixou apenas algumas peças que foram adornar um espaço mais pequenino. A palavra "crise" começava a ouvir-se regularmente nos noticiários e passou rapidamente a fazer parte da realidade de muitos empresários empreendedores como o teu avô.

A prosperidade de outros tempos parece-nos a todos, agora, uma realidade muito longínqua. Mas apesar disso, o teu avô não baixou os braços e luta diariamente por reconquistar uma vida mais tranquila.

No dia em que fizeste 2 anos, o avô não te pôde comprar um brinquedo caro, ou uma roupa de marca. Mas deu-te o coração dele na forma de um pequeno elefante de madeira que tu cobiçaste durante meses... e isso diz tudo sobre o teu avô.

Amo-te, pai. E prometo ensinar ao meu filho aquilo que aprendi contigo sempre... que "a vida é feita de pequenos nadas!!"

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Há 2 anos

Faltavam poucas horas para te conhecer. Eu ainda não sabia se iria ser naquele dia, mas esperava muito que sim, que desses sinal de querer conhecer o mundo. Choveu a semana toda e tu esperaste pelo único dia de sol para te dares a conhecer.

Recordo cada momento passado naquela sala de partos, cada volta que dei nos corredores, cada vez que me pendurei no teu pai quando vinha uma contracção mais forte, cada vez que respirei exactamente como tinha aprendido nas aulas de PPP...

A partir do meio dia, as dores começaram a apertar, mas ainda não havia condições para a Santa Epidural [um dia falo-te dessa santa querida de quem passei a ser devota]. Passei um mau bocado até por volta das 17:30 talvez, hora em que a Santa foi autorizada a intervir.

Depois disso, foi um descanso. Tinha dores e sentia as contracções, mas de uma forma amigável, suportável. Todo o tempo que decorreu entre esse momento e as 19:24 minutos, hora que o relógio marcava quando choraste pela primeira vez, foi passado em clima de grande descontracção.

Lembro-me de perguntar ao enfermeiro-parteiro, o Anjo Gabriel, "Ó senhor enfermeiro, o meu filho nasce hoje, não nasce?". E passado um segundo, ele informa-me que estava tudo pronto para tu nasceres. E assim foi. O médico que te seguiu na gravidez quase não chegou a tempo. Num instante, estavas cá fora.

Nasceste limpinho, rosado, tiveste de ser aspirado e não puderam por-te logo no meu peito, como estava combinado. Mas não fez mal, eu podia ver-te a uns escassos centímetros enquanto outra enfermeira te vestia a roupa que preparei numa trouxa. Foi ela que lembrou o pai: "Ó pai, não quer tirar umas fotos?" Tinhamos levado 2 máquinas e uma parafernália de baterias e pilhas, mas estupidificámos durante os teus primeiros minutos de vida. Só fomos capazes de ficar a olhar para ti, nem nos lembrámos das fotos...


Depois de vestido e agasalhado vieste finalmente juntar o bater do teu coração ao meu. O pai deu-te o 1º colo. Foi a 1ª vez que pegou num recém-nascido, mas parecia um profissional. Enchi-me de orgulho dos meus dois homens naquele momento. E de mim, que me portei à altura.

Nem parecias ter acabado de nascer. Não tiveste pressa em comer, mas abriste os teus olhos enormes e ficaste a habituar-te à luz. Eu era capaz de jurar que me piscaste o olho.

Na tua primeira noite de vida, o pai deixou-nos já tarde, por volta das 23h. Tenho a certeza que mal dormiu de excitação e ansiedade. Eu não dormi. Não que tivesses dado trabalho, pelo contrário. Mas eu tinha sede e fome de te ver, de observar cada movimento, de conhecer cada bocadinho de ti, de ficar horas a contemplar o meu filho, a minha obra, o meu bebé perfeito.

De manhã estava fresca como uma alface. O pai chegou cedo com as tralhas que não tinham ficado no dia anterior. Tomei um banho e senti-me como nova. Só queria que 3 dias passassem a correr, ir para a nossa casa, com o pai, que todos os dias passou connosco todo o tempo que lhe era permitido.

Tivemos alta a um sábado e pudemos finalmente ter um momento em família, os três. O pai esqueceu-se do teu casaco e teve de voltar a casa. Quando regressou, tinha-se esquecido do meu :)

Amo-te daqui até à lua, ida e volta vezes catramilhões e mais um. E estamos a escassas horas de completares DOIS anos. Adoro-te, filho. Obrigada.

Ni

sexta-feira, 18 de março de 2011

16 meses


Your baby is 16 months.



E hoje decidi dizer 16 coisas sobre ti/nós:



1) Ainda não caminhas totalmente sozinho. Fazes trajectos entre duas coisas/pessoas. Caminhas muito bem de mão dada ou se te sentes apoioado de alguma forma, mas noto que ainda precisas de confiança.

2) Nunca foste bebé que gostasse muito de colo, mas agora adoras ficar deitadinho no meu peito e é assim que acalmas quando alguma coisa não está bem. E eu adoro, tenho ganas de te abraçar pelo menos uma dúzia de vezes ao dia.

3) Tens 12 dentes e alguns a romper. Ainda não criámos uma rotina de "lavar os dentes", eu não me dou com a dedeira que te comprei, é mal jeitosa e limito-me a passar o meu dedo bem lavadinho nos teus dentinhos e gengiva. Para a semana temos pediatra e eu espero vir de lá com indicação de uma pasta dentrífica e uma escova de dentes.

4) Adoras morder-me/bater-me de mão aberta/ beliscar-me/ puxar-me os cabelos. Confesso que isso me deixa doida e, muitas vezes, não sei como reagir. Apetecia-me dar-te uma palmada. Aos poucos tenho conseguido fazer-te entender que não se faz, que magoa e é feio. Estás melhor, mas ainda não estás "curado" :)

5) Tens uma fixação pelo pai. Andas sempre a chamar e a perguntar por ele. Mas o pai diz que quando eu saio de manhã para trabalhar ficas a chamar e a perguntar por mim.

6) Falas pelos cotovelos e falas muito bem. És simpático e comunicativo e conquistas audiência para as tuas palhaçadas onde quer que vás. Se não te ligam, chamas a atenção: "oláaaaaa"

7) Quando o assunto não te interessa, sabes desviar. Ou fazes de conta que não é nada contigo e és um Ás nessa arte.

8) Sabes dizer quando tens xixi ou cocó. Assim que o tempo melhorar, vais começar a experimentar o bacio.

9) Em Setembro vais para a escola, com 22 meses.

10) Conheces o corpo humano quase todo: nariz, boca, orelhas, olhos, cabeça, mãos, pés, barriga [pança], pilau... sabes onde fica isto tudo.

11) Sabes dizer calças, casaco, meias, sapato e vais dizendo o que falta vestir.

12) Sabes o nome de imensos bichos dos teus livros, puzzles e legos mas o teu preferido é sem dúvida o Koala [cuáua]

13) Tens uma fixação por água. Foi das primeiras palavras que disseste correctamente e adoras ver água em qualquer forma. És capaz de ficar horas a observar um repuxo e a culpa é do teu avô L. :)

14) Quando estás doente ficas tão mimado! És mesmo um homem em ponto pequenino :)

15) És muito expressivo. Dás entoação às palavras, mesmo que seja um simples sim ou não. É um espectáculo ver o teu entusiasmo quando te consegues exprimir e fazer-nos perceber o que queres. "Queres ir para a sala? - Xi-iiiiim"

16) Esta já toda a gente sabe: amo-te mais que tudo. Daqui até ao sol e à lua e de volta à terra vezes "catramilhões" e mais 1!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Querido M. #7


Amanhã faz um ano, filho. Um ano que chegaste. Um ano que te cheirei pela primeira vez. Um ano inteirinho desde o dia em que vi o teu pézito, aquele que me dava tantos pontapés na barriga. Um ano que os meus olhos se cruzaram com os teus, com aquele teu olhar de zangado com o mundo, irresistível. Faz um ano que passámos a ser um trio, eu, tu e o pai.


E eu, que tenho sempre uma palavra a dizer em todas as ocasiões, hoje estou muda. Tenho um nó na boca do estômago, sinto uma ansiedade, uma nostalgia, umas saudades de te ter na barriga, de quando eras apenas um come-e-dorme pequenino... e ao mesmo tempo uma explosão de alegria, de orgulho pelas tuas [e pelas nossas] conquistas, uma explosão de amor sem limite.


Os últimos 365 dias [dos quase 12.000 que já vivi] nunca foram vazios. Estavas lá sempre a dar sentido a tudo. Foste uma ajuda preciosa para 2 totós a viver a paternidade pela 1ª vez, facilitaste imenso, filho! E és lindo! Como tu és lindo, filho!


Aos dois gajos da minha vida [eu sei que o teu pai vai ler, só não se vai manifestar...] eu quero dizer "Adoro-vos". Piolho, por ti um amor incondicional, transcendente e maior que tudo até ao último milésimo de segundo da minha vida. Pai do piolho, reserve-nos a vida o que reservar, hei-de amar-te para sempre, até à lua e volta vezes catramilhões e mais um!


Com amor,

Ni

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Desafio Ana C


A Ana C. lançou este desafio a quem queira:

..."convidava os que por aqui passam a escreverem uma carta aos vossos filhos (ou a quem quer que ocupe o vosso coração) e a publicarem-na nos vossos espaços."

Escrevo cartas ao meu filho desde que ele ocupava o seu T-zero [entenda-se, a minha barriga], tal como podem ver aqui. Gostaria de escrever mais, apercebi-me hoje que já não lhe escrevo há muito tempo... Hoje, deixo-vos ficar uma delas, a 4ª carta ao meu piolho, escrita a 12 de Outubro de 2009, um mês e pouco antes dele nascer.

"Querido M. #4

Olá piolhito da mãe,

Não sei se esta vai ser a última "carta" que te escrevo antes de vires espreitar este mundo maluco [em que há pessoas a eleger para presidente de câmara o Major Valentão, imagina...] para onde os pais decidiram trazer-te... talvez sim, talvez não. Estamos grávidos de 8 meses. Diz que o normal são 9, portanto... só nos falta mais 1!

Escrevo-te porque estou ansiosa! No bom sentido, claro. Não ando por aí a bufar de inquietação. Mas penso tanto em ti [como se fosse possível não pensar num pequeno ser que faz aulas de kickboxing dentro da nossa pança]...

Penso que não sei o dia que escolheste para chegar. Sim, porque no fundo, no fundo, quem vai decidir és tu. És o primeiro bebé lá de casa, nunca passámos por esta experiência, tenho medo de não perceber que já está na hora... Patetice, não é!? Acho que as mamãs deviam ter um qualquer sinal exterior de que estaria na hora, mas assim um sinal muito evidente, que não desse para enganar nem para falsos alarmes, tipo... ficar com a unha do dedo grande do pé verde! Pronto... quando a unha ficasse verde, estava na hora de ir para maternidade...
Penso no momento em que te vou poder ver. E só de imaginar o meu coração fica maluco. Vai haver um segundo só nosso, prometo. Eu, tu e o pai. Os três numa sala de partos cheia de gente que nem vemos nem ouvimos. Depois vamos ter muitos momentos desses, a dois e a três, no sossego da nossa casita!

Penso nas visitas... ai meu Deus! Somos assim uma família a atirar para o maluquinho. Estou mesmo a ver o corropio de gente.
E os nervos da mãe quando te começarem a querer apertar e abanar e dar beijos tipo ventosa, apesar das advertências dos senhores entendidos na gripe A!?!? Hum!?!? Não te preocupes, eu e o pai [e as avós, uiui, não se metam com elas] damos conta do recado! Penso que vou estar ansiosa por sair dali...

Penso no dia em que te vou poder levar para a nossa casa. Temos uma caminha para ti no nosso quarto. Por enquanto, é lá que vais ficar, à mão de semear! A seu tempo também vais ter um espaço teu, mas para já, ficas ali pertinho. Não temos pais ricos, nem conta no BES... mas comprámos um bólide novo a pensar na tua segurança e conforto. Provavelmente, é nele que vais fazer a tua primeira viagem até casa!

Penso nas roupinhas lindas que te comprámos e que nos foram oferecendo e que te vão ficar tão bem!!! Às vezes quando pegamos numa peça ou outra, eu costumo dizer ao pai: "ai que este reguila vai ser tão queque..." E rimo-nos! Rimo-nos muito eu e o pai. Somos felizes e estamos felizes com a tua chegada. E aquilo do "queque" é só a brincar, está bem!? :P

Tenho tantos pensamentos, mas tantos, que não cabem aqui!
Amo-te muito!

Ni!"

terça-feira, 27 de abril de 2010

É matemático

Filho,

Estás à vontade! Tu espera sempre que a mãe comece a comer para começares a fazer aquela tua cara muito concentrada e vermelha que anuncia a real cagada. Não faças antes, nem depois. O que está a dar é fazer o cocozinho quando a mãe está a comer, sim!?

Ah! E também não precisas de fazer a poia da tarde em casa da bisa G. Guarda para a mãe, que a mãe tem muitas saudadinhas tuas e das tuas fraldas empastadas de caca...

Por último, mas não menos importante, espera sempre que te ponham uma fralda limpinha para, logo a seguir, a encheres de merdum. Não te preocupes, as fraldas nem são assim tão caras e nós até somos remediados...

Um dia a mãe explica-te o significado de ironia, sim!?

Mãe sofre! :D

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Querido M. #6

E pronto, este é o meu calcanhar de aquiles!

Eu de boa vontade te mudo fraldas com cocó até aos ossos, te dou banho uma dúzia de vezes ao dia se preciso for, te limpo os cacos do nariz com cotonetes, bato palmas aos teus arrotos e até aos punzitos sonoros que mais parecem de gente crescida, acordo de madrugada e ponho a mama a jeito antes mesmo de conseguir abrir os olhos...

Eu faço figuras tristes só para te ver rir. Eu canto (e eu canto tão mal que até dói). E passo a tua roupinha toda a ferro, todinha, até as meias...

Eu até aprendi a dominar o teu carrinho e as voltas a dar ao cinto do carro para prender o teu ovinho e tudo e tudo...

Mas eu fico completamente derrotada quando te ouço chorar! Não falo daqueles chorinhos de mimo que já sabes fazer, nem das pequenas birras... falo daquele choro sofrido que denuncia que algo está errado e nós não percebemos imediatamente o quê! Ninguém nos prepara para isto e cada segundo que passa sem te conseguir ajudar é um tormento.

Hoje tiveste um desses dias, de mau-estar. Choraste muito. Sentido. Incomodado. Tentei de tudo. Mudei-te fraldas que até estavam limpas. Dei-te mama a uma média de 2 em 2 horas. Embalei-te. Chorei também.

O teu choro tem sempre uma explicação, eu sei... Mas às vezes falta-me presença de espírito para aguardar pacientemente por uma pista... Fico nervosa. E tu ficas pior ainda...

Desculpa, filho!

Amo-te muito!

Mãe Ni

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Querido M. #5

Olá pequenino!

Sabes, sinto que a esta nossa viagem está prestes a chegar ao fim. Já não falta muito para nos conhecermos. Todos os dias são um dia mais perto desse momento. E que ansiosa eu já estou!

À medida que vou colocando mais um objecto na mala, só penso no dia em que te vou trazer comigo, no teu "ovinho" azul, prenda dos tios S&T, com aquelas calças de ganga fashion e o body tipo camisa que te comprámos e o casaquinho que a avó P. deu... embrulhado numa mantinha giraça e coberto com uma fraldinha bordada pela tia B. E as botinhas que a bisavó C. tricotou? E os casaquinhos? Um must!

Em casa, vou deitar-te numa caminha linda, patrocinada pelo bisavô A. e com lençóis costurados pela bisavó G. A maluca até te fez um mosquiteiro em tule, vê lá bem...

Na porta do teu quartinho vais ter um quadro com o teu nome. Foi a artista da avó E. que o pintou para ti. O teu quartinho já tem móveis, lindos! Foi o avô L. que ofereceu. Aposto que o avô L. vai ser de todos o mais chorão, quando te puser a vista em cima, hehe! Também lá está a "cama de família", que o bisavô L. nos disponibilizou. Tem passado por todos, já foi da mãe, antes disso já foi do avô L. Veio de outro continente, imagina... toda restaurada e à tua espera!

Ainda não temos a tua banheira. Que luta! Afinal parece que a prima M. ainda usa a dela e sempre tivémos de ir a correr comprar uma! Está encomendada, o pai vai buscá-la segunda-feira, o dia em que completas 38 semanas na minha barriga!

Esse será também o meu primeiro dia em casa, sem ir trabalhar. E eu já ando tão cansada, filho! Tu pesas! E na última semana deves ter descido 2 degraus, porque eu sinto-te a fazer pressão lá no fundo! À conta disso, passo a vida a correr para a casa-de-banho, hihi!

As noites já são mal dormidas e toda a gente me diz que quando estiveres em casa vai ser pior. Não sabem o que dizem, pois não filhote? Tu vais ser, como a mãe costuma dizer, um bebé zen! Super calminho, dorminhoco como o pai, não é!? O verdadeiro come-e-dorme, certo!? Pelo menos foi isso que combinámos nas nossas intermináveis conversas ao longo dos últimos meses!

Queria dizer-te tantas coisas, sinto que me estou a esquecer de metade, pelo menos. A principal é eu e o pai somos apaixonados por ti desde que soubémos que vinhas a caminho. Já antes estávamos apaixonados pela idéia de te encomendar!!! Não percebemos muito de bebés e desta vida nova que nos espera aos 3. Mas não tenhas medo, ok? Temos tanta boa vontade que vai correr tudo bem, de certeza! Daqui a dias o pai já vai ser especialista na muda da fralda e eu uma expert na arte de montar o carrinho!! E também vamos ter ajuda da família [o que inclui os amigos mais chegados, os tios "emprestados"]. Já te disse que somos assim uma família a atirar para o maluquinho!? Mas uma família que te vai amar muito, disso podes ter a certeza. No que depender dela, nunca te vai faltar nada [incluindo boa educação e puxões de orelhas, quando for preciso, ok?]!

Obrigada, filho! Pelos momentos de partilha nos últimos meses, pela gravidez tranquila, por nos fazeres crescer, pelas brincadeiras do toca-e-foge, por nos fazeres rir e sorrir, por nos tornares ainda mais unidos, pela pança linda e redonda que arranjaste à mãe e pelos cabelos brancos charmosos que arranjaste ao pai [é o que ele diz, pelo menos, hehe] e mais uma lista sem-fim de outros pequenos tesouros que já nos deste... obrigada!

Estamos à tua espera [e se quiseres fazer o favor de não demorar muito... a malta agradece, sim?]!

Love U!
Ni!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Querido M. #4

Olá piolhito da mãe,

Não sei se esta vai ser a última "carta" que te escrevo antes de vires espreitar este mundo maluco [em que há pessoas a eleger para presidente de câmara o Major Valentão, imagina...] para onde os pais decidiram trazer-te... talvez sim, talvez não. Estamos grávidos de 8 meses. Diz que o normal são 9, portanto... só nos falta mais 1!

Escrevo-te porque estou ansiosa! No bom sentido, claro. Não ando por aí a bufar de inquietação. Mas penso tanto em ti [como se fosse possível não pensar num pequeno ser que faz aulas de kickboxing dentro da nossa pança]...

Penso que não sei o dia que escolheste para chegar. Sim, porque no fundo, no fundo, quem vai decidir és tu. És o primeiro bebé lá de casa, nunca passámos por esta experiência, tenho medo de não perceber que já está na hora... Patetice, não é!? Acho que as mamãs deviam ter um qualquer sinal exterior de que estaria na hora, mas assim um sinal muito evidente, que não desse para enganar nem para falsos alarmes, tipo... ficar com a unha do dedo grande do pé verde! Pronto... quando a unha ficasse verde, estava na hora de ir para maternidade...
Penso no momento em que te vou poder ver. E só de imaginar o meu coração fica maluco. Vai haver um segundo só nosso, prometo. Eu, tu e o pai. Os três numa sala de partos cheia de gente que nem vemos nem ouvimos. Depois vamos ter muitos momentos desses, a dois e a três, no sossego da nossa casita!

Penso nas visitas... ai meu Deus! Somos assim uma família a atirar para o maluquinho. Estou mesmo a ver o corropio de gente.

E os nervos da mãe quando te começarem a querer apertar e abanar e dar beijos tipo ventosa, apesar das advertências dos senhores entendidos na gripe A!?!? Hum!?!? Não te preocupes, eu e o pai [e as avós, uiui, não se metam com elas] damos conta do recado! Penso que vou estar ansiosa por sair dali...

Penso no dia em que te vou poder levar para a nossa casa. Temos uma caminha para ti no nosso quarto. Por enquanto, é lá que vais ficar, à mão de semear! A seu tempo também vais ter um espaço teu, mas para já, ficas ali pertinho. Não temos pais ricos, nem conta no BES... mas comprámos um bólide novo a pensar na tua segurança e conforto. Provavelmente, é nele que vais fazer a tua primeira viagem até casa!

Penso nas roupinhas lindas que te comprámos e que nos foram oferecendo e que te vão ficar tão bem!!! Às vezes quando pegamos numa peça ou outra, eu costumo dizer ao pai: "ai que este reguila vai ser tão queque..." E rimo-nos! Rimo-nos muito eu e o pai. Somos felizes e estamos felizes com a tua chegada. E aquilo do "queque" é só a brincar, está bem!? :P

Tenho tantos pensamentos, mas tantos, que não cabem aqui!
Amo-te muito!
Ni!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Querido M. #3

Querido M.,Já ocupas o T-zero da mãe há precisamente 28 semanas! Começa a preocupar-me o facto de o contrato de arrendamento expirar dentro de aproximadamente 10/12 semanas...

Não te zangues com a mãe, combinado? Vais ter de sair daí, mas nós prometemos que temos uma caminha linda só para ti, à tua espera quando chegares cá fora, sim?

Até lá, vamos fazendo aquela nossa brincadeira preferida, em que tu dás pontapés e cambalhotas e a malta ri-se... e vamos ouvindo a nossa musiquinha, e vamos comendo um ou outro chocolatito [sshhhhhiiiiuuuuuuuu], e vamos contando histórias...

Até lá, a mãe vai-se exibindo na sua forma de rotunda, toda orgulhosa da sua barriga empinada e o pai vai babando mais de dia para dia.

Até lá ficas assim, embutido, alapado na mãe, aí nesse cantinho seguro onde eu te posso proteger do calor, do frio e até das velhas chatas que hão-de querer apertar-te quando tu nasceres... :D

Love U,
Mãe Ni!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Querido M. #2

Não há coisa mais linda do que estar deitada de papo para o ar a ver as ondinhas que os teus pontapés provocam na minha barriga. Passo horas nisto.

Assim só por curiosidade, dei-me conta que este é 69º post do 4 Mãos!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Querido M. #1


Definitivamente [não ad eternum... mas pelo menos até Novembro] instalou-se uma aula de aeróbica dentro da minha barriga.


Adoro.


Querido M.,

Tu mexe-te à tua vontade. Na verdade, eu queria era ter uma janela na barriga, para confirmar que estás bem a toda a hora. Ou então que existissem ecógrafos de trazer por casa à venda no e-Bay para te poder espreitar de vez em quando, como as mães fazem aos bebés que já nasceram e fazem soninhos nas suas caminhas. Assim, quando te movimentas, posso pelo menos sentir a tua dança frenética que é cada vez mais ritmada. A cada pontapé que dás [ou pontamãos, não sei bem], sorrio! É como se estivesses a falar comigo e a dizer-me segredos, coisinhas só nossas que só partilhamos com o pai. O pai encosta a mão à barriga e fica à espera que tu fales com ele. E tu falas, muito. Vais à procura do calor, sabe-te bem o aconchego das nossas [quatro :)] mãos! Já respondes aos nossos estímulos. E à noite, quando já é muito tarde e vamos para a cama, o pai pede-te com jeitinho: "M., vá lá... deixa a mamã dormir, já são horas". Gostas de comer! Reclamas quando tens fome e dás patadinhas de satisfação quando a mãe enche a pança! Já és gente!


Adoro-te! Estou calmamente à tua espera, sei que ainda vais demorar a chegar. Até lá, vamos criando esta relação baseada no toque, no som e na luz que já és capaz de reconhecer... e neste amor imenso sem o qual já não sei viver...


E, já agora, quando fica escuro e silencioso... está na hora de dormir, sim!? :)


Beijo da mãe,

Ni!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Faltam dois dias...

... para o próximo broadcast live from inside me!

Ó bebé, seria pedir assim muito que abrisses a pernita descaradamente para a malta ver se vens equipado com um pirilau ou nem por isso!?