Faltavam poucas horas para te conhecer. Eu ainda não sabia se iria ser naquele dia, mas esperava muito que sim, que desses sinal de querer conhecer o mundo. Choveu a semana toda e tu esperaste pelo único dia de sol para te dares a conhecer.
Recordo cada momento passado naquela sala de partos, cada volta que dei nos corredores, cada vez que me pendurei no teu pai quando vinha uma contracção mais forte, cada vez que respirei exactamente como tinha aprendido nas aulas de PPP...
A partir do meio dia, as dores começaram a apertar, mas ainda não havia condições para a Santa Epidural [um dia falo-te dessa santa querida de quem passei a ser devota]. Passei um mau bocado até por volta das 17:30 talvez, hora em que a Santa foi autorizada a intervir.
Depois disso, foi um descanso. Tinha dores e sentia as contracções, mas de uma forma amigável, suportável. Todo o tempo que decorreu entre esse momento e as 19:24 minutos, hora que o relógio marcava quando choraste pela primeira vez, foi passado em clima de grande descontracção.
Lembro-me de perguntar ao enfermeiro-parteiro, o Anjo Gabriel, "Ó senhor enfermeiro, o meu filho nasce hoje, não nasce?". E passado um segundo, ele informa-me que estava tudo pronto para tu nasceres. E assim foi. O médico que te seguiu na gravidez quase não chegou a tempo. Num instante, estavas cá fora.
Nasceste limpinho, rosado, tiveste de ser aspirado e não puderam por-te logo no meu peito, como estava combinado. Mas não fez mal, eu podia ver-te a uns escassos centímetros enquanto outra enfermeira te vestia a roupa que preparei numa trouxa. Foi ela que lembrou o pai: "Ó pai, não quer tirar umas fotos?" Tinhamos levado 2 máquinas e uma parafernália de baterias e pilhas, mas estupidificámos durante os teus primeiros minutos de vida. Só fomos capazes de ficar a olhar para ti, nem nos lembrámos das fotos...
Depois de vestido e agasalhado vieste finalmente juntar o bater do teu coração ao meu. O pai deu-te o 1º colo. Foi a 1ª vez que pegou num recém-nascido, mas parecia um profissional. Enchi-me de orgulho dos meus dois homens naquele momento. E de mim, que me portei à altura.
Nem parecias ter acabado de nascer. Não tiveste pressa em comer, mas abriste os teus olhos enormes e ficaste a habituar-te à luz. Eu era capaz de jurar que me piscaste o olho.
Na tua primeira noite de vida, o pai deixou-nos já tarde, por volta das 23h. Tenho a certeza que mal dormiu de excitação e ansiedade. Eu não dormi. Não que tivesses dado trabalho, pelo contrário. Mas eu tinha sede e fome de te ver, de observar cada movimento, de conhecer cada bocadinho de ti, de ficar horas a contemplar o meu filho, a minha obra, o meu bebé perfeito.
De manhã estava fresca como uma alface. O pai chegou cedo com as tralhas que não tinham ficado no dia anterior. Tomei um banho e senti-me como nova. Só queria que 3 dias passassem a correr, ir para a nossa casa, com o pai, que todos os dias passou connosco todo o tempo que lhe era permitido.
Tivemos alta a um sábado e pudemos finalmente ter um momento em família, os três. O pai esqueceu-se do teu casaco e teve de voltar a casa. Quando regressou, tinha-se esquecido do meu :)
Amo-te daqui até à lua, ida e volta vezes catramilhões e mais um. E estamos a escassas horas de completares DOIS anos. Adoro-te, filho. Obrigada.
Ni