Quando o meu filho nasceu, perdi noites. Todas as noites interrompia o meu sono algumas vezes para dar de mamar, trocar fraldas, pô-lo novamente a dormir, mama, fralda, dormir... A privação de sono é uma tortura para mim. Felizmente, quando comecei a trabalhar, já ele dormia umas valentes horas seguidas e não acordava para mamar de noite com frequência. Os meus sonos foram normalizando e posso dizer que fui/sou uma mãe de sorte. Esporadicamente, lá contece perder umas horas de sono durante a noite e ir trabalhar com cara de zombie no dia seguinte.
Entretanto, levei uma carga de porrada há um mês atrás, mais coisa menos coisa. Não foi física, mas antes tivesse mesmo levado umas lambadas a sério. Desde esse dia que não tenho uma noite de sono com mais de 1 ou 2 horas de seguida. Levo horas a adormecer, acordo em média 3 ou 4 vezes por noite, demoro horas a adormecer outra vez e, normalmente, quando o despertador toca, estou eu num sono profundo derrotada pelo cansaço. Mas tenho de me levantar. Já pensei em pedir ao médico qualquer coisa que me permitisse desligar a ficha por uma noite, apagar a minha actividade cerebral por 8 horas seguidas. Mas tenho medo, porque passo muitas noites sozinha com o meu filho e não concebo a ideia de ele precisar de mim e eu falhar. Nas outras noites, quando o meu marido está em casa, sinto-o tão cansado que não conseguiria demitir-me da tarefa de estar alerta. O Verão há-de ter um fim, o trabalho do meu marido há-de abrandar e eu hei-de ter essa noite de descanso que tanto preciso, eu sei. Mas sinto-me tão cansada deste turbilhão constante em que se tornou a minha cabeça, que todos os dias há um momento em que eu penso: é hoje que eu dou o tilt...
Precisava tanto de encostar a cabeça na almofada e dormir profundamente...
Adenda: Se calhar fui eu que não fui clara :) Não é o meu filho que não me deixa dormir, felizmente ele dorme a noite toda, salvo raríssimas excepções.



