Imperfeita, claro. Como todas as mães que conheço. Mas a melhor que consigo.
Eu sou a mãe que não sabe quantos dentes tem o filho.
... que não acorda 200 vezes por noite para ir ver se ele está tapado. Agasalho-o, pronto.
... que faz questão que o filho se sente à mesa na hora das refeições. Brincar é na sala/rua, a cozinha é para comer, o wc para tomar banho e o quarto para dormir.
... que nunca adormeceu o filho ao colo por sistema. Deito-o e ele adormece. Se me chama, vou lá, se chora, vou lá, mas depois de o deitar não volto a trazê-lo para a sala, por exemplo. Nem que tenha de lá ir 100 vezes. No geral, não é preciso.
... que adora ler histórias e se entusiasma mais do que ele.
... que se envergonha quando lhe dá um berro. Nem sempre sou capaz de me controlar e quando lhe levanto a voz, morro de remorsos.
... que tem vontade de lhe dar uns açoites.
... que se enerva quando alguém tenta interferir na educação do piolho.
... que não acha piada a ver os miudos meterem na boca os brinquedos uns dos outros.
... que ajuda o filho a comer e não vê vantagens em dar-lhe uma colher para a mão e deixá-lo tomar banho de sopa. Só agora começo a dar-lhe essa liberdade, porque só agora senti que é o momento.
... que deixa o piolho dormir na avó e não sente culpa, mas que não seria capaz de o deixar com mais ninguém.
... que houve os conselhos dos médicos e profissionais de saúde, filtra a informação, mas põe o instinto em 1º lugar.
... que não compra iogurtes especiais-de-corrida.
... que não impõe horários de forma rigorosa, mas que respeita e faz respeitar as rotinas básicas
... que nunca deixou passar uma refeição sem sopa, mas que já recorreu às sopas de compra meia dúzia de vezes e aos boiões de fruta.
... que não obriga a comer e não insiste [muito], mas também não dá substitutos. Felizmente, não tenho do que me queixar nesse aspecto, até à data.
... que detesta que alguém [sobretudo pessoas de fora] lambuse o miúdo de beijos. Não gosto, nunca vou gostar. Não o obrigo a dar beijos a ninguém, mas é encorajado a cumprimentar toda a gente.
... que sempre repetiu as vezes necessárias as palavras "se faz favor", "desculpa", "com licença", mesmo quando ele era ainda um bebézinho. Hoje em dia, também ele as repete, sem nunca lhe ter ensinado ["desculpa" ainda não interiorizou].
... que fala correctamente com o piolho e não fala abebezado.
... que brinca, corre, senta-se no chão e não se preocupa se a roupa vai ficar suja.
... que tem vontade de bater em todos os miúdos que ignoram o piolho ou o fazem chorar no parque... mas não bate.
... que fica com o coração do tamanho de uma ervilha quando o piolho sofre.
... que fica com o coração do tamanho de um elefante quando ele diz "a mãe é meu".
Esta sou eu. Nem melhor, nem pior, apenas diferente de ti, de certeza :)